quarta-feira, 1 de julho de 2009

Adoptei um filho...

Já é velhito, tem 22 anos.
Mas tem muitos outros pais e mães.
(Aconselho ver em High Quality)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Porto na Noite

E aqui estou eu, finalmente com espaço para mim... Ou para os meus demónios?
É na Invicta nocturna e solitária que, em simultâneo, me sinto una e fragmentada.
Pareço realizada e confortável, mas instável e insatisfeita.
A noite fica linda e misteriosa, e todo o tipo de assaltos à memória me ocorrem. Situações esporádicas e insignificantes aparecem com reminiscências de saudade e de interrogação sobre o que poderia ter sido e não foi, sobre o que foi e como o conseguiu ser.
Talvez seja nestes momentos que sinto o quanto não sou do que quis ser.
Não era para ser assim. Não era para ser nada assim. Não quero que continue assim.
Mas não há força, alguma vez houve?
A música que escolho - leia-se a música escolhida pela artimanha aleatória que apenas cumpre o estilo que escolhi - acompanha bem a paisagem. E a luz amarela da cidade aconchega e promete.
Gabo-me de raramente ter insónias. Tenho sempre, no entanto, um pejo de ir para a cama assustador. Será que são as minhas insónias, estes ratos internos que me impedem de, como qualquer pessoa responsável, atender às horas de sono necessárias?
É que não faz sentido esta alergia: de manhã sabe tão bem!...
Tomo consciência de que temo inconscientemente a divagação de espírito do processo de adormecer. Quase que sinto um desperdício de tempo dormir. Mas quando o sono finalmente vence e me arrasta, não lhe resisto. Fraca de corpo e ainda mais pobre de espírito, o controlo escapa-se-me e torno-me num robot, a mando das necessidades básicas.
Tento não me odiar ao perceber isso.
Mas já não reconheço quem vejo no espelho.
Não sei quem ela é.
Não sei quando perdi o rasto, se alguma vez o tive.
Não sei quando aquela mulher apareceu, e aparece todos os dias aos que me rodeiam, e eu não tenho consciência disso. Ela fala e trejeita em vez de mim. Como será conhecer-me?
Que post estúpido e lamechas. Mas algum tinha que ser.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

João Aguar(d)ela

Lembro-me da primeira vez que ouvi falar do vocalista dos Sitiados. Foi numa revista, provavelmente a Super Jovem (da qual, na minha pré-adolescência, fui assinante), e despertou-me a atenção conhecer aquele cantor em ascensão que me parecia tão giro. Não sei se por gaffe da revista ou minha, li "João Aguarela". E ainda hoje me lembro disso, talvez precisamente porque Aguarela lhe fica tão bem.

O Aguar(d)ela morreu. Já há dias, e isto ainda me anda na cabeça. Novinho, com 40 anos ainda por fazer.
Quase que o mistifica de vez aos meus olhos, qual Jim Morrison ou John Lennon.
Talvez a muitos pareça um insulto esta comparação.
Mas acho que não.

João Aguardela foi um incrível músico. Um pouco mal-amado, me parece.
Os Sitiados marcaram Portugal: qualquer pessoa nascida antes de 1990 se queixou da Vida de Marinheiro, raparaparaparaparaparapari. Mas os Sitiados, e João Aguardela, estiveram à frente do seu tempo. Agora, com outro conhecimento e sensibilidade, busquei as suas músicas. E percebi a descrição que muitos fizeram recentemente, sobre a capacidade e vontade de Aguardela de fazer rock com raízes portuguesas. E o homem fê-lo como poucos. O acordeão, o adufe, os ritmos, e acima de tudo a voz e a forma de cantar de Aguardela prestam uma impressão muito "tuga" às músicas que interpretaram. Ele, como poucos, soube cantar como se canta no Portugal profundo, com a alma do Povo Português, das mulheres da aldeia e dos cantores de desgarrada.

Há anos que não ouvia falar de João nem dos Sitiados. Mas agora, pela morte dele, referiram que fazia parte do projecto A Naifa, do qual conheço o famoso Monotone. Foi uma surpresa, não fazia ideia, mas pouco me admirou aquela banda ter o toque de Aguardela: há ali qualquer coisa incrivelmente lusitana...

É com pena que re-ouço O Melhor de Sitiados. Porque me faz pensar quão bons foram, e que deviam ter sido melhor amados por Portugal, sobre quem tão bem parodiaram, de quem tão fielmente cantaram.

"Outro Parvo no Meu Lugar" é incrível. Há 3 dias que mora na minha cabeça. Como podemos não valorizar obras destas?


A Febre da Selva ou Triunfo dos Electrodomésticos (não sei qual é o verdadeiro nome da música) tinha um videoclip que, visto hoje, faz taaanto lembrar programas que passam diariamente na nossa TV nacional! E é uma música engraçadissima! E aquela parte final, aquela brincadeira que Aguardela faz com a voz, tão tuga, tão comicamente fadista!


Nem vou falar de "Vamos ao Circo" nem d'"O Baile"... Só descobri agora que são os autores d'"A Noite"!

Uma salva de palmas a João Aguardela, e que não seja a última, porque o seu trabalho merece ser louvado durante muitos e muitos anos. Está vivo, intensamente vivo nas suas músicas e no coração de quem, como eu, o aprecia.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

"Cai neve, cai neve, cai neve no jardim..."

Está a nevar!
Sinto-me uma menina da cidade, que nunca viu tal coisa!
Mas, facto é, nunca tinha visto propriamente nevar, pelo menos que me recorde.
Não é saraiva ou granizo. É neve. Flocos enormes de neve, leves e calmos, caem do céu às quantidades, continuamente, pacatamente. Não devem nada a ninguém, não têm pressa. Caem.
O trânsito, as pessoas a correr, o mundo a girar, e a neve não liga. Simplesmente cai, como se tudo fosse dela.
O canalizador diz que vai demorar a ir buscar a peça que falta porque está muito trânsito. "É só gelo e acidentes por aí acima!" diz desesperado.
Porque a neve é dona e senhora.
O mundo devia parar para ela. Quanto mais não fosse, para a apreciar. Deliciosamente fria e húmida, desagradavelmente confortável a cair na cara, na cabeça, no corpo. Cola-se à roupa sem darmos conta.
Não é como a chuva, essa chata que molha e quase dói quando nos bate. Não.
É suave, quase uma carícia.
Nunca pensei gostar de neve.
Tem partes más, é claro: não quero conduzir. Aliás, apetece-me ficar cá dentro, a ver a "floca" (termo da querida avó Guida) bailar na paisagem, tornando-a branca.
Sinto-me talvez capaz de afinal conseguir ir viver para a Holanda ou Suécia, onde a vida parece potencialmente mais fácil. Quem sabe, viro nórdica? Será que fico bem com cabelo louro?

PS: @ Barcelos, evidentemente.
http://jn.sapo.pt/multimedia/video.aspx?content_id=1069440

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Hipocrisia I

Pressuposto: ninguém quer ser magoado, logo evita magoar outrem.
Dentro disto, será natural que certas coisas sejam ditas e/ou feitas com cuidado e desvelo de forma a reduzir o impacto na vida de quem nos rodeia.
Isto parece lógico e humano.
Mas vai uma grande distância entre este cuidado e a hipocrisia pura.
Como vão as pessoas de um extremo ao outro?
Talvez o meu raciocínio não esteja certo e a hipocrisia não tenha a sua raiz nesse espírito altruísta e benévolo. Mas se assim for, torna-se ainda mais incompreensível a hipocrisia!
Que comportamento estranho.
Hipocrisia: "s. f., impostura, fingimento;
manifestação de virtudes ou sentimentos que realmente se não tem", segundo o dicionário online Priberam (http://www.priberam.pt).
Quais são as motivações para esta atitude?
O que leva uma pessoa a ir contra a sua natureza e opinião pessoal, alegando o contrário?
Comodismo?
Malícia pura?
grrrr arrepia-me!

Porque não podemos ser quem somos? Eu quero!
É tão bom sentir a verdadeira natureza de outra pessoa, ver os seus pontos fortes e fracos, altos e baixos.

É essa a verdadeira riqueza social: conhecer diversas personalidades e opiniões!

Que outra coisa podemos tirar uns dos outros, senão esses momentos bem passados?
Quem não gosta de uma boa discussão temática?
Quanto enriquecem uma relação os pequenos atritos inevitáveis?
Quando é que sabe mal perceber que também há gente que pensa como nós? De verdade?

Porque mentimos? Porque somos falsos?
Conjugo o verbo na 1ª pessoa do plural porque talvez também eu o faça, sem querer ou aperceber. É esta sociedade que é tóxica, que envenena a alma pura com que vimos ao mundo.

Aborrece-me que seja assim, entristece-me pensar que possa ser assim, mesmo que num momento desprevenido.

Tente-se.
E veja-se quão mal reage a sociedade, as pessoas, o mundo, à nossa verdadeira natureza.

O problema?
Está em nós, claro está.
Porque nós julgamos.
Porque somos intransigentes.
Porque gostamos do sentimento de pertença e obrigamo-nos - e aos outros - a obedecer a um padrão comum.

Este é, provavelmente, o traço humano que mais abomino.
Talvez não crie guerras por si só, mas provoca as batalhas do dia a dia, da vida, dos sentimentos. Pelo menos, muitas delas.

PS.: Numa de coerência, vou tentar ser o mais sincera possível neste blog, doa a quem doer. Quanto mais não seja, para ser fiel a mim própria e ter a consciência tranquila. Ah, sentimento bom, o de deitar a cabeça na almofada e dormir, sem arrependimentos de coisas do quotidiano picuinhas...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Poesia I - to Babe



O Príncipe Encantado não olha para mim.
Talvez olhe, mas não me vê.
Está distraído e habituado
à minha forma, cheiro e jeito.

O Príncipe Encantado não olha para mim.
Vive no seu mundo, do qual sou só uma parte
em vez de centro gravítico.

O Príncipe Encantado é grande
numa imensidão infinita.
E eu sou gulosa
na tentativa de o compreender, de o ter.

O Príncipe Encantado está
e só precisa de estar
para a sala se encher,
para o mundo brilhar.

O Príncipe Encantado não olha para mim
Mas toca-me e envolve-me
e cheira-me e beija-me
e vê-me.

O Príncipe Encantado chama-me
e finalmente olha para mim.
E eu abro-me e mostro-me
E torno-me parte dele.

E o mundo perde sentido
ou ganha. Pouco importa.
Porque o Príncipe Encantado finalmente olha para mim
E faz-me Princesa.

domingo, 21 de dezembro de 2008

No princípio...

... era o Verbo. É assim que o mais famoso livro do mundo começa, certo? A Bíblia. Parece um bom prenúncio para começar o meu blog.
E começo pelo princípio.
A minha idade.
Eu.
O meu mundo.
Os meus filmes.
É sobre isto que vou falar, exorcizar demónios e expulsar sentimentos. Ok, não vou ter seguidores da minha enfadonha vida.
Não me importo.
Se de facto vou escrever, é para mim. Partilho com o computador, com a Internet, o que me bate na consciência e no imaginário. É suficiente. Se alguém o achar interessante, melhor.

I
Fui sair há dias. Como gosto, para uma loucura no Piolho - para quem desconhece, um tasquinho estudantil portuense antiquíssimo -, onde falei com inúmeros desconhecidos. Alguns, na casa dos 20, falaram-me com paternalismo sobre a experiência de vários anos de Universidade. Deliciei-me. Percebo agora porque muitas pessoas gostam de passar por mais novas. Senti-me jovem, senti que tinha todas as possibilidades de há 6 anos atrás, quando estava nos 19, 20 anos. Não é pelo aspecto per se. É por parecer enérgica e cheia de vida, sem o sofrimento que padeci durante este período da minha vida. Pensar que não aparento o desgaste que sofri é bom, enche-me de esperança e por um momento, sinto que todas as portas estão de novo abertas.
Haverá quem diga que ainda tenho muita vida para viver. Assim o espero! Mas há que reconhecer que é nestes anos, neste período do início dos 20 que muito se decide, que muito se define.
Deitei muita hora fora. Ainda hoje deito. A cura milagrosa e instantânea da abstracção da realidade é demasiado fácil para mim.
Lembro o que me imaginava quando era criança. Muitas coisas não se realizarão mais. Nunca serei a filha que me criaram para ser. Nunca serei a mulher moderna e realizada, femme fatale, que ambicionei ser. Nunca serei a profissional de sucesso que sonhei ser.
Sou uma boa filha, dirão meus pais (?). Não sou propriamente um bicho do mato. Não serei incompetente. Mas sinto que em algum momento, algo se perdeu em mim, de mim, e que jamais recuperarei. Uma energia, uma vontade, uma força de vida que me preocupa não ter, tendo em conta que inclusivamente desejo um dia ser mãe. Espero que, pelo menos nessa altura, algo (re)nasça em mim e faça de mim a pessoa que eu quero ser.