terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Hipocrisia I

Pressuposto: ninguém quer ser magoado, logo evita magoar outrem.
Dentro disto, será natural que certas coisas sejam ditas e/ou feitas com cuidado e desvelo de forma a reduzir o impacto na vida de quem nos rodeia.
Isto parece lógico e humano.
Mas vai uma grande distância entre este cuidado e a hipocrisia pura.
Como vão as pessoas de um extremo ao outro?
Talvez o meu raciocínio não esteja certo e a hipocrisia não tenha a sua raiz nesse espírito altruísta e benévolo. Mas se assim for, torna-se ainda mais incompreensível a hipocrisia!
Que comportamento estranho.
Hipocrisia: "s. f., impostura, fingimento;
manifestação de virtudes ou sentimentos que realmente se não tem", segundo o dicionário online Priberam (http://www.priberam.pt).
Quais são as motivações para esta atitude?
O que leva uma pessoa a ir contra a sua natureza e opinião pessoal, alegando o contrário?
Comodismo?
Malícia pura?
grrrr arrepia-me!

Porque não podemos ser quem somos? Eu quero!
É tão bom sentir a verdadeira natureza de outra pessoa, ver os seus pontos fortes e fracos, altos e baixos.

É essa a verdadeira riqueza social: conhecer diversas personalidades e opiniões!

Que outra coisa podemos tirar uns dos outros, senão esses momentos bem passados?
Quem não gosta de uma boa discussão temática?
Quanto enriquecem uma relação os pequenos atritos inevitáveis?
Quando é que sabe mal perceber que também há gente que pensa como nós? De verdade?

Porque mentimos? Porque somos falsos?
Conjugo o verbo na 1ª pessoa do plural porque talvez também eu o faça, sem querer ou aperceber. É esta sociedade que é tóxica, que envenena a alma pura com que vimos ao mundo.

Aborrece-me que seja assim, entristece-me pensar que possa ser assim, mesmo que num momento desprevenido.

Tente-se.
E veja-se quão mal reage a sociedade, as pessoas, o mundo, à nossa verdadeira natureza.

O problema?
Está em nós, claro está.
Porque nós julgamos.
Porque somos intransigentes.
Porque gostamos do sentimento de pertença e obrigamo-nos - e aos outros - a obedecer a um padrão comum.

Este é, provavelmente, o traço humano que mais abomino.
Talvez não crie guerras por si só, mas provoca as batalhas do dia a dia, da vida, dos sentimentos. Pelo menos, muitas delas.

PS.: Numa de coerência, vou tentar ser o mais sincera possível neste blog, doa a quem doer. Quanto mais não seja, para ser fiel a mim própria e ter a consciência tranquila. Ah, sentimento bom, o de deitar a cabeça na almofada e dormir, sem arrependimentos de coisas do quotidiano picuinhas...

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