E aqui estou eu, finalmente com espaço para mim... Ou para os meus demónios?
É na Invicta nocturna e solitária que, em simultâneo, me sinto una e fragmentada.
Pareço realizada e confortável, mas instável e insatisfeita.
A noite fica linda e misteriosa, e todo o tipo de assaltos à memória me ocorrem. Situações esporádicas e insignificantes aparecem com reminiscências de saudade e de interrogação sobre o que poderia ter sido e não foi, sobre o que foi e como o conseguiu ser.
Talvez seja nestes momentos que sinto o quanto não sou do que quis ser.
Não era para ser assim. Não era para ser nada assim. Não quero que continue assim.
Mas não há força, alguma vez houve?
A música que escolho - leia-se a música escolhida pela artimanha aleatória que apenas cumpre o estilo que escolhi - acompanha bem a paisagem. E a luz amarela da cidade aconchega e promete.
Gabo-me de raramente ter insónias. Tenho sempre, no entanto, um pejo de ir para a cama assustador. Será que são as minhas insónias, estes ratos internos que me impedem de, como qualquer pessoa responsável, atender às horas de sono necessárias?
É que não faz sentido esta alergia: de manhã sabe tão bem!...
Tomo consciência de que temo inconscientemente a divagação de espírito do processo de adormecer. Quase que sinto um desperdício de tempo dormir. Mas quando o sono finalmente vence e me arrasta, não lhe resisto. Fraca de corpo e ainda mais pobre de espírito, o controlo escapa-se-me e torno-me num robot, a mando das necessidades básicas.
Tento não me odiar ao perceber isso.
Mas já não reconheço quem vejo no espelho.
Não sei quem ela é.
Não sei quando perdi o rasto, se alguma vez o tive.
Não sei quando aquela mulher apareceu, e aparece todos os dias aos que me rodeiam, e eu não tenho consciência disso. Ela fala e trejeita em vez de mim. Como será conhecer-me?
Que post estúpido e lamechas. Mas algum tinha que ser.
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