... era o Verbo. É assim que o mais famoso livro do mundo começa, certo? A Bíblia. Parece um bom prenúncio para começar o meu blog.
E começo pelo princípio.
A minha idade.
Eu.
O meu mundo.
Os meus filmes.
É sobre isto que vou falar, exorcizar demónios e expulsar sentimentos. Ok, não vou ter seguidores da minha enfadonha vida.
Não me importo.
Se de facto vou escrever, é para mim. Partilho com o computador, com a Internet, o que me bate na consciência e no imaginário. É suficiente. Se alguém o achar interessante, melhor.
I
Fui sair há dias. Como gosto, para uma loucura no Piolho - para quem desconhece, um tasquinho estudantil portuense antiquíssimo -, onde falei com inúmeros desconhecidos. Alguns, na casa dos 20, falaram-me com paternalismo sobre a experiência de vários anos de Universidade. Deliciei-me. Percebo agora porque muitas pessoas gostam de passar por mais novas. Senti-me jovem, senti que tinha todas as possibilidades de há 6 anos atrás, quando estava nos 19, 20 anos. Não é pelo aspecto per se. É por parecer enérgica e cheia de vida, sem o sofrimento que padeci durante este período da minha vida. Pensar que não aparento o desgaste que sofri é bom, enche-me de esperança e por um momento, sinto que todas as portas estão de novo abertas.
Haverá quem diga que ainda tenho muita vida para viver. Assim o espero! Mas há que reconhecer que é nestes anos, neste período do início dos 20 que muito se decide, que muito se define.
Deitei muita hora fora. Ainda hoje deito. A cura milagrosa e instantânea da abstracção da realidade é demasiado fácil para mim.
Lembro o que me imaginava quando era criança. Muitas coisas não se realizarão mais. Nunca serei a filha que me criaram para ser. Nunca serei a mulher moderna e realizada, femme fatale, que ambicionei ser. Nunca serei a profissional de sucesso que sonhei ser.
Sou uma boa filha, dirão meus pais (?). Não sou propriamente um bicho do mato. Não serei incompetente. Mas sinto que em algum momento, algo se perdeu em mim, de mim, e que jamais recuperarei. Uma energia, uma vontade, uma força de vida que me preocupa não ter, tendo em conta que inclusivamente desejo um dia ser mãe. Espero que, pelo menos nessa altura, algo (re)nasça em mim e faça de mim a pessoa que eu quero ser.
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como diz "o outro", dejá ouvi'sto nalgum lado :D
ResponderEliminarpa força! é como diz o jorge palma, exorcisa os teus demonios interiores, sentate com eles a mesa, com vinhos e licores.
braço o/